- A ‘Academia’ foi campeã da edição 2024 da CONMEBOL Sudamericana
- Após ter sido semifinalista da CONMEBOL Libertadores em 2025, a equipe de Gustavo Costas tentará conquistar seu segundo troféu.
Quando Gustavo Costas desembarcou no Cilindro de Avellaneda, em janeiro de 2024, para iniciar seu terceiro ciclo como treinador, deixou no ar uma promessa: "Não basta mais competir nas Copas, é preciso vencê-las. Vejo o Racing pronto para lutar, para conquistar coisas importantes. É isso que a torcida quer: dar o salto que nos falta, que é alcançar algo em nível internacional, porque a última vez foi quando eu jogava, e já faz bastante tempo desde então".
Até então, Costas havia sido testemunha e protagonista dos momentos mais felizes e também das jornadas mais dramáticas do clube. Primeiro, foi mascote durante os anos do Equipo de José, uma formação inesquecível que, sob o comando de Juan José Pizzuti, conquistou a única CONMEBOL Libertadores em 1967. Já como jogador, foi capitão, ídolo e símbolo da equipe que venceu a Supercopa Sul-Americana em 1988. Foi nesse período que sua própria torcida passou a cantar que "Costas é o maior do futebol nacional”.
Como treinador — carreira iniciada em 1999 —, assumiu a responsabilidade em duas fases distintas, mas igualmente difíceis para a instituição: “Já apaguei muitos incêndios aqui e saí queimado. Não queria que me trouxessem para isso. Tomara que eu consiga alcançar coisas importantes com o Racing, é o sonho da minha vida”, analisou em suas primeiras horas como técnico da Academia.
E Costas realizou seus sonhos. Contagiou o elenco com seu amor pelo Racing, um time que disputava cada bola como se fosse a última. Se o adversário era superior do ponto de vista futebolístico, a Academia igualava com caráter e personalidade. Assim começou uma construção que terminou com a consagração sul-americana em sua primeira campanha, encerrando um jejum de 36 anos sem títulos internacionais.
Os Albicelestes terminaram a Fase de Grupos como líderes após superarem o Bragantino, do Brasil, o Coquimbo Unido, do Chile, e o Sportivo Luqueño, do Paraguai. Já nas oitavas de final, golearam o Huachipato, do Chile; eliminaram o Athletico Paranaense nas quartas; avançaram em uma dramática semifinal contra o Corinthians e celebraram com um contundente 3-1 sobre o Cruzeiro na final, em Assunção: "Agradeço aos jogadores, são o mais importante. É com este grupo que mais me identifico, porque realizou o sonho da minha vida: conquistar algo assim no clube em que cresci. Eles deram tudo pela camisa. Sabia que o torcedor do Racing precisava de algo internacional, e conseguimos entregar isso".
O Racing dobrou sua aposta para a Libertadores 2025. A ‘Academia’ foi líder do Grupo E, à frente do Fortaleza, do Brasil, do Atlético Bucaramanga, da Colômbia, e do Colo-Colo, do Chile. Nas oitavas de final, avançou em um desfecho dramático contra o Peñarol, com um gol de Franco Pardo no quarto minuto dos acréscimos do segundo tempo. Já nas quartas de final, superou o compatriota Vélez Sarsfield para se colocar entre os quatro melhores do continente. Embora o Flamengo aparecesse como favorito nas semifinais, o Racing de Costas evidenciou sua competitividade e disputou uma série que orgulhou seus torcedores, apesar da derrota final por um apertado 1-0 no placar agregado após 180 minutos.
Apesar do desfecho decepcionante, o Racing manteve sua intensidade competitiva no campeonato local e garantiu a classificação para a CONMEBOL Sudamericana. Também esteve muito perto de voltar à CONMEBOL Libertadores ao alcançar a final do Clausura 2025: nos playoffs, eliminou o River Plate nas oitavas de final, deixou o Tigre para trás nos pênaltis nas quartas, derrotou o Boca Juniors na ‘La Bombonera’ nas semifinais e, na final, esteve a segundos do título, mas o Estudiantes de La Plata empatou no terceiro minuto de acréscimo e levou a decisão para os pênaltis, consagrando o ‘Pincha’.
O Racing volta à CONMEBOL Sudamericana com a expectativa de conquistar um novo título que fortaleça o sucesso da era Costas. Desde aquela final em Assunção contra o Cruzeiro, o elenco passou por uma renovação, especialmente com as saídas de Gabriel Arias (Newell’s), Juan Nardoni (Grêmio), Agustín Almendra (Necaxa), Juan Fernando Quintero (River Plate) e Maximiliano Salas (River Plate). Costas também ajustou a configuração da equipe: passou do 3-5-2 para um 4-2-3-1, no qual adiantou Santiago Sosa para o meio-campo e estruturou um esquema com três meias ofensivos — Duvan Vergara, Matko Miljevic e Santiago Solari — atrás do implacável artilheiro Adrián Maravilla Martínez.