Em nome do pai: ‘Nacho’ Russo alimenta o sonho do Tigre

661791785_18586052671047260_2638139533176123966_n-fotor-20260505145038.jpg
  • O atacante, que já havia disputado a competição por Rosario Central e Patronato, marcou um golaço na vitória por 3 a 0 sobre o Nacional
     
  • Seu pai foi o treinador campeão da CONMEBOL Libertadores de 2007, a última conquistada pelo Boca

Ignacio Russo participou da CONMEBOL Sudamericana de 2021 pelo Rosario Central, sem entrar em campo, e da edição de 2023 pelo Patronato, quando atuou por apenas um minuto depois que o clube da província de Entre Ríos veio da CONMEBOL Libertadores daquele ano. Na competição, somou uma assistência em 241 minutos distribuídos por quatro partidas. Ou seja, “Nacho” Russo ainda não sabia o que era comemorar um gol em competições internacionais de clubes.

Isso mudou na atual edição da CONMEBOL Sudamericana. Nas primeiras quatro partidas do Grupo A, marcou dois gols com a camisa do Tigre: o primeiro na estreia, no empate por 1 a 1 com o Alianza Atlético, no Peru, e o segundo na vitória por 2 a 0 sobre o América de Cali, na Argentina. Agora, já na fase eliminatória, deixou uma lembrança inesquecível em uma noite perfeita de sua equipe: o “Matador” venceu o Nacional por 3 a 0, pelos Playoffs das Oitavas de Final, no Gran Parque Central, e Russo marcou o segundo gol com uma finalização indefensável de média distância.

A história de Ignacio Ezequiel Russo Cordero é especial. Aos 25 anos, nascido em Rosário e formado nas categorias de base do Rosario Central, ele é filho de Miguel Ángel Russo, o último treinador a conquistar a CONMEBOL Libertadores com o Boca, em 2007.

“Nacho” Russo, que passou por Chacarita, Patronato e Instituto depois de deixar o Rosario Central, mandou um beijo para o céu após empurrar a bola para o fundo da rede no empate por 1 a 1 do Tigre com o Alianza Atlético, no Peru. “Agora vem o aniversário; foi para ele. Sei que está sempre comigo. Temos que continuar trabalhando duro, como sempre”, declarou Nacho após a partida. Em 9 de abril, Miguel Ángel Russo — falecido em 8 de outubro de 2025, quando era treinador do Boca — teria completado 70 anos.

Este Tigre que disputa a CONMEBOL Sudamericana — cuja melhor campanha na história foi o vice-campeonato de 2012, quando perdeu a final para o São Paulo, do Brasil — é comandado por Diego Dabove. Foi Miguel Ángel Russo quem lhe deu a primeira oportunidade como auxiliar técnico, no Los Andes, clube das divisões de acesso do futebol argentino, em 2000. Por isso, Dabove o considera um “pai no futebol”.

Quando Dabove, que era goleiro, encerrou a carreira aos 27 anos devido a uma lesão no ombro, Russo — que havia sido seu treinador nas categorias de base do Lanús entre os 16 e os 21 anos — o convidou para trabalhar como auxiliar no Los Andes. “Rapidamente me concentrei nisso, e essa oportunidade mudou minha vida. De todos com quem trabalhei, Russo foi quem mais me marcou. Ele me transmitiu a paixão pela profissão”, afirmou Dabove em entrevista ao jornal Clarín.

Imagem
000_A9JC8KP.jpg

Hoje, Dabove comanda “Nacho” Russo, filho de Miguel. O atacante, que forma uma grande dupla ofensiva com David Romero — autor de dois gols no empate por 2 a 2 com o Macará, no Equador, e ausente diante do Nacional —, alimenta com seus gols o sonho do Tigre na CONMEBOL Sudamericana 2026. Ele soma 18 gols e nove assistências em 64 partidas pelo “Matador de Victoria”.

Assim como seu pai construiu uma trajetória pelo futebol sul-americano — comandou Universidad de Chile, Millonarios, da Colômbia, Alianza Lima, do Peru, e Cerro Porteño, do Paraguai —, agora o filho começa a traçar o próprio caminho.