Milton Delgado, o ‘Pulmonzinho’ de Paredes no Boca

Milton Delgado
  • O meio-campista jogou todos os minutos nas vitórias sobre a Universidad Católica do Chile e o Barcelona do Equador na CONMEBOL Libertadores 2026
     
  • Vice-campeão mundial Sub-20 com a Seleção Argentina, ganhou esse apelido do capitão ‘xeneize’
     

Após a estreia do Boca Juniors no Grupo D da CONMEBOL Libertadores 2026 com vitória por 2-1 sobre a Universidad Católica, no Chile, Leandro Paredes, capitão da equipe, compartilhou um story em sua conta no Instagram: uma foto comemorando seu gol — aquele chute colocado de fora da área — e, ao lado, acompanhando a jogada, com a mesma fome de protagonismo, Milton Delgado. Uma palavra acompanhava a publicação: “Pulmonzinho”. E três emojis: um coração azul, outro amarelo e aplausos.

Delgado, o ‘Pulmonzinho’ de Paredes no Boca, foi talvez o grande destaque na apresentação na Bombonera, na vitória por 3-0 sobre o Barcelona do Equador pela segunda rodada da CONMEBOL Libertadores 2026 (atuou todos os minutos nas duas partidas). Contra o Barcelona, ao seu habitual dinamismo por amplas zonas do campo, às coberturas defensivas e à precisão no passe após recuperação, Delgado somou três passes decisivos — que não terminaram em gol —: dois para Miguel Merentiel e um para Tomás Aranda. O ‘Pulmonzinho’ renova o fôlego, claro, mas também joga, cria e constrói.

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Apelidado de ‘Pocho’ em Rafael Castillo — localidade da província de Buenos Aires, no partido de La Matanza, a oeste da capital argentina, onde nasceu em 16 de junho de 2005 (20 anos) —, Delgado (1,66 m) chegou ao Boca aos nove anos, ainda nas categorias infantis, após se destacar no futebol de base do Club Atlético Los Ángeles, de Rafael Castillo. Também chamado de ‘Chelo’, em referência a Marcelo Delgado — campeão da CONMEBOL Libertadores em 2000 e 2001 —, embora sem parentesco, Milton conquistou seu lugar como titular no Boca.

E não sem passar por uma reconversão futebolística. Delgado estreou na equipe principal em 3 de abril de 2024, contra o Nacional Potosí, na Bolívia, pela Fase de Grupos da CONMEBOL Sudamericana. Em suas primeiras aparições, era um meio-campista central mais posicional, um clássico camisa 5, focado na função defensiva de recuperar e distribuir a bola. Mas, para se firmar — especialmente após a chegada de Paredes em meados de 2025 —, ampliou seu repertório sem perder a essência de jogador incansável: passou a assumir diferentes funções conforme o contexto e as necessidades do time, agregando também participação ofensiva em zonas mais avançadas.

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Premiado com a Bola de Bronze no Mundial Sub-20 do Chile 2025, no qual foi vice-campeão com a Seleção Argentina, Delgado nunca sentiu o peso da camisa do Boca. Hoje, integra o meio-campo liderado por Paredes, ao lado de Santiago Ascacibar, Tomás Aranda e Ander Herrera — uma engrenagem que combina sinergia, equilíbrio e conexão no time comandado por Claudio Úbeda.

Milton Delgado é sinônimo de intensidade constante, de trabalho invisível, de peça de apoio permanente. Como destacou Paredes após a vitória sobre o River Plate no último Superclássico, em entrevista a Gastón Edul e “Davoo Xeneize”: “Milton é muito importante para o time e para mim. É muito inteligente, intenso, joga muito bem, entende perfeitamente os jogos. É um garoto que vai nos dar muito e terá uma grande carreira, tem projeção de Seleção sem dúvida, já mostrou isso no Sub-20”.

Mas, nos últimos tempos, também ampliou seu impacto no jogo. Mais expansivo, contribui em diferentes alturas do campo e, no ataque, ensaia movimentos para se posicionar de frente para o gol. Talvez ainda precise evoluir na pressão alta para recuperar bolas — e, em 57 partidas como profissional, ainda busca seu primeiro gol.

Com traços que remetem a N’Golo Kanté (1,68 m), Marco Verratti (1,65 m) e Stanislav Lobotka (1,68 m) — meio-campistas de centro de gravidade baixo, técnica refinada e grande mobilidade —, o ‘Pulmonzinho’ Delgado vai abrindo seu caminho na elite em ritmo acelerado.