- Peça fundamental na conquista de 2025, o goleiro argentino voltará a enfrentar o Estudiantes, que ajudou a eliminar com duas defesas na disputa por pênaltis da edição anterior.
- Sua capacidade de ser decisivo nos momentos cruciais é uma das forças do ‘Mengão’ na busca por mais um título da CONMEBOL Libertadores.
Agustín Rossi havia assumido sua responsabilidade no gol do Estudiantes no jogo de volta das Quartas de Final da CONMEBOL Libertadores 2025, mas sabia que ainda teria uma oportunidade de mudar o desfecho. Em setembro de 2025, após a derrota por 1 a 0 em La Plata e com a classificação para as Semifinais dependendo da disputa por pênaltis, o goleiro do Flamengo fez uma promessa aos companheiros.
“Estou muito feliz por poder ajudar a equipe. Sei que, durante o jogo, tive um pouco de responsabilidade no gol. Apesar disso, o goleiro precisa manter a cabeça forte. Disse aos meus companheiros que ia ajudá-los nos pênaltis. Falei para baterem com confiança, porque eu ia defender pelo menos um. Tive a sorte de defender dois e decidir a disputa. Estou muito feliz por isso”, contou depois. Naquela noite, foram duas defesas: Rossi parou as cobranças de Gastón Benedetti e Santiago Ascacíbar para manter o Flamengo no caminho que terminaria com a conquista da América.
Um ano depois, a CONMEBOL Libertadores volta a colocá-los frente a frente. Desta vez, será nas Semifinais, com a equipe brasileira defendendo seu título e o Estudiantes buscando uma nova Final. Para Rossi, o reencontro traz de volta a lembrança de uma das noites mais importantes de sua carreira e o leva novamente a um clube pelo qual passou antes de se consolidar na elite. Para o Flamengo, representa mais uma fase em que a experiência de seu goleiro pode fazer a diferença a seu favor em um confronto eliminatório.
Aquela disputa de 2025 revelou um traço de sua personalidade. Depois de uma jogada que ele próprio considerou que poderia ter resolvido melhor, manteve a confiança para assumir o protagonismo. Filipe Luís, então treinador da equipe, revelou que Rossi havia se aproximado antes dos pênaltis para dizer que garantiria a classificação. O técnico acreditou, e o argentino respondeu com duas defesas que asseguraram a passagem à fase seguinte.
O próprio Rossi explicou essa maneira de encarar sua função em declarações à TNT Sports durante a conquista continental de 2025: “Se eu mantiver a calma, também transmito calma à equipe”. Mesmo quando os pensamentos e as preocupações se acumulam por dentro, Rossi oferece aos companheiros uma referência de serenidade. Do gol, cada um de seus gestos também pode transmitir confiança a quem joga à sua frente.
A ligação com o Estudiantes havia começado muito antes. Revelado pelo Chacarita, chegou a La Plata aos 19 anos e disputou três partidas oficiais pela equipe principal entre 2015 e 2016. Depois, seguiu sua trajetória no Defensa y Justicia e no Boca Juniors. Antes do confronto pelas Quartas de Final de 2025, relembrou aquela passagem para alertar sobre a dificuldade de enfrentar o adversário: “Eu joguei lá, sei o que a CONMEBOL Libertadores significa para o Estudiantes”.
Sua contribuição para o quarto título do Mengão também se sustentou ao longo das partidas. Na edição de 2025, chegou à Final sem sofrer gols em oito de suas doze atuações e acrescentou mais uma partida à conta na vitória por 1 a 0 sobre o Palmeiras, em Lima. A noite dos pênaltis contra o Estudiantes foi o episódio mais marcante de uma campanha em que proteger o gol foi fundamental para complementar o talento ofensivo da equipe.
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Desde sua chegada, em 2023, Rossi foi conquistando seu espaço no Flamengo. Estabeleceu o recorde do clube de minutos consecutivos sem sofrer gols e ultrapassou a marca de cem partidas. Ao ser homenageado pelo centésimo jogo, expressou uma ambição que ia além de se firmar como titular: “Cheguei ao Flamengo com o objetivo de fazer história”. A conquista da CONMEBOL Libertadores lhe permitiria cumprir uma parte importante daquele propósito.
A trajetória, como a de qualquer goleiro, também inclui momentos de grande exposição. Em agosto de 2026, explicou como lida com essa exigência: “Sabemos que as críticas sempre vão existir, fazem parte do jogo”. Rossi contou que evita acompanhar a repercussão nas redes sociais e que os anos no Boca e no Flamengo o ensinaram a entender a pressão que acompanha a posição. Para o técnico Leonardo Jardim, ele é uma peça determinante: “Rossi é um jogador importante e já demonstrou isso, principalmente nos últimos anos”, afirmou o treinador.
Nas Quartas de Final desta edição, encontrou uma maneira pouco habitual de ser decisivo. Com o Flamengo em desvantagem contra o Independiente del Valle e com dez jogadores, lançou de seu campo a bola que terminou na cabeçada de Giorgian De Arrascaeta para fazer o 1 a 1. Segundo a Opta, foi a primeira assistência de um goleiro nas fases eliminatórias da competição desde o início de seus registros, em 2013. O passe ajudou a selar a classificação que a equipe brasileira havia encaminhado com a vitória por 2 a 0 no jogo de ida, em Quito.
Agora, o adversário será o Estudiantes, com o jogo de ida marcado para 15 de outubro, em La Plata, e a volta para o dia 22, no Maracanã. O Flamengo busca sua quinta CONMEBOL Libertadores, e Rossi sabe o quanto uma intervenção pode pesar nesse caminho. Depois de defender dois pênaltis contra o Fluminense na Final do Campeonato Carioca, em março, resumiu sua ambição: “Temos algo muito importante a fazer, que é tornar o Flamengo cada vez maior”.